Quem inventa este território?


Tenho formas diferentes de aparecer no mundo. Hoje, divido uma casa cheia de plantas com meu companheiro e mais dois gatos...Mas já fui criança, moça, adulta, velha, homem. Já fui jogadora de vôlei, já caí de patins e nadei em recifes de corais, já tive uma árvore e uma vira-lata como melhores amigas. Nunca quebrei nenhum osso, mas tive a proeza de começar a calçar 40 com onze anos de idade. Já morei em apartamento, casa, sítio. Já odiei a escola. Já faltei aula na faculdade só pra continuar me deliciando com um sorvete. Já almocei suco de laranja e já raspei o cabelo algumas vezes. Já cultivei minha sanidade indo quase todo dia até o mar de bicicleta. Já experimentei algumas coisas, já experienciei outras, uma das melhores foi ver minha irmã me dar um sobrinho como afilhado. Já quis ser astronauta, médica geriátrica, aeromoça, baleia, gato. Já quis ser escritora, fotógrafa, andarilha, passarinho. E já apareci parecendo nunca ser nada disso.

Já me mostrei algumas vezes como psicóloga, trazendo a saúde como forma de vislumbrar o corpo e a subjetividade. Tentando aprender as despalavras do corpo e suas metáforas. Para me mostrar nesse formato, inventei um território onde a arte, a filosofia, a ciência e várias outras perspectivas de olhares são colocadas como possibilidades de se criar o corpo no mundo contemporâneo, neste tempo e espaço mesclado de culturas, biologias, simbolismos, signos, linguagens e geografias que permitem o corpo afetar-se, desconstruir-se e transformar-se. (http://despalavrasdocorpo.blogspot.com.br/)

Também já me arrisquei na tentativa de uma especialista em língua, linguagem e literatura e me debrucei na utopia de escrever sobre educação, revoluções através da palavra criada que inventa um corpo a cada vez que é dita, e este corpo,  que por sua vez inventa um mundo através de seus símbolos. (http://parafalardepalavras.blogspot.com.br/)

Às vezes é por trás de uma máquina fotográfica que apareço, tentando junto à máquina, ser o olho da pupila. Criando imagens que se fingem congeladas e que vão se derretendo a cada olhar, tendo continuidade sempre que alguém é afetado por elas. Tentando trazer as possibilidades de um momento transbordar o barulho do “click” do botão da máquina. (http://taimegouvea.blogspot.com.br/)

Às vezes é me debruçando num desenho, numa ilustração, gravura ou em uma pintura. Me descobrindo sem controles, sem rigidez ou limites nas cores da aquarela. Outras, sendo aprendiz de imagens acrílicas, sendo tela, pincel e tinta. Lápis de cor ou grafite. Me pintando de nanquim, sendo madeira em gravuras ou sendo imagens em canecas... (http://poliketa.blogspot.com.br/)

Em outras, me mostro no formato de palavras, em ontologias poéticas. Palavras sem pontuação. Que fogem da gramática como quem foge de regras, amarras ou prisões. Que não se importa muito se uma palavra é escrita com s ou z, j ou g, ou se existe uma vírgula ou um ponto final pra enfatizar um sentimento, uma pausa ou uma existência de pontuações. Expurgos, vômitos, transbordamentos sem muitas regras. Palavras esquizofrênicas. Ou não... (http://dapeleaoosso.blogspot.com.br/)

Aqui, especificamente, vou ser uma praticante de Yoga tentando aprender como relacionar o Yoga a este corpo que compõe cada personagem desse “eu”. Vou ser uma professora de Hatha Yoga se propondo a aprender a cada vez que escreve um texto. A cada pergunta que fizer. 

Este é um espaço onde o yoga se apresenta, muitas vezes, fora do tapetinho. Mas, que ouras vai trazer a importância desta prática em cima de um tapete também. Afinal, às vezes, é assim que o interesse pelo Yoga começa, pelo menos foi assim comigo...

Namastê!



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